quarta-feira, 22 de abril de 2020

 AD REVIVER - 60 ANOS - AUTOBIOGRAFIA DO
 Pr.HERMENEGILDO BISPO CARNEIRO

INTRODUÇÃO

Aqui não é lugar para tanto. Importam-me para onde vou. Hoje tenho 84 anos, minhas raízes são apresentadas da seguinte forma: Eu sou um cidadão vindo do Estado da Bahia. Tenho viva, a memória da minha casa, do meu corpo que era outro, do som da minha voz a correr pelos vales. Atrás ficaram pedras soltas do meu templo: o José, o Manoel, o Oldato e a Zenita, meus irmãos, o "Nero" e o "Bobi", os cães de minha família. Ficaram os importantes anos da minha vida, porque foram os primeiros. Um homem só nasce na terra que vem a conhecer depois, quando os calções da infância estão definitivamente arrumados no baú de outra idade.

Eu nasci em 13/04/1926, em Riachão do Jacuípe, Município de Feira de SantanaBahia, num pequeno lugarejo (Fazenda Barro Vermelho). Eu amava a sua melancolia, o cheiro do café em flor, a suavidade da neblina quando anoitecia, e o cantar dos galos quando amanhecia. A minha pele tinha o cheiro daquele lugar - das suas casas sertanejas, da voz do meu pai e da minha mãe, rente ao vento. Dos intermináveis cafeeiros, do gado, etc. Venho também dos Açores, de uma rua onde a casa de minha avó desafia o Tempo.

Cresci um pouco entre aquelas paredes, ouvindo o mugido do gado. Minha avó Liolinda Bispo Macedo – a Lia fazia tricô, e quase endoidecia com a nossa energia baiana. Fomos assim parar, eu e os meus irmãos, ao sabor das goiabas do quintal de meus tios.  Havia bonecos de barro, jarros altos e talhas frescas junto das janelas – contendo a água para beber, a mesa grande onde minha tia, partia o pão. No meu quarto, ouvia a musica do sertão, bem de manhã, quando os pássaros cantavam, me faziam sonhar, por mais um dia de trabalho que estava a iniciar. Tinha sido uma casa majestosa, aquela. Um lugar onde as lágrimas caíam no último olhar, onde o Inverno adormecia de mansinho no chão de barro.  Fui um organizador de festas. Perdi os meus sapatos nos bailes de São João. Dormi em tendas de Sol e terra. Minha pele secou-se com a aridez dos ventos. Mas amo o que tenho e o que passou. E sou feliz!  Deus é minha testemunha.

1- A INFÂNCIA
Nasci na Fazenda Barro Vermelho, Riachão do Jacuípe - Feira de Santana, na 'Morada da minha família', no interior do Estado da Bahia, em 13 de abril de 1926, registrado sob o nome de Hermenegildo Bispo Carneiro, filho de Antônio Bispo Macedo, agricultor, e de Maria Idalina Carneiro, dona de casa, dedicada ao lar, à educação e à exemplificação dos valores morais imperecíveis aos filhos, durante toda sua vida. Tenho três irmãos, José Bispo Carneiro, Manoel Bispo Carneiro, Oldato Bispo carneiro, e uma irmã, Zenita Bispo Carneiro.
Eu era uma criança normal, vendo o meu pai – um pequeno proprietário agrícola, que em sua propriedade plantava e colhia café, milho, feijão, mandioca, em alta escala.  Enquanto a minha família produzia farinha, para abastecer a cidade. O meio de transporte destes produtos naquela época era feito através de tropas de burros, cada um dos animais carregava sobre os seus lombos dois balaios, um de cada lado contendo os produtos.
Quando tinha oito anos de idade, ajudava a ordenhar as vacas no curral e, já estava comprometido com as tarefas do campo. Eu era muito feliz, divertia-me muito, gostava de jogar bolinhas de gude, observava com carinho a fauna e a flora daquela região. Admirava os pássaros, os bichos do mato, entre eles os tatus, as pacas, as cobras de diversos tipos, entre outros.
A cidade de Riachão do Jacuipe foi fundada nos terrenos de uma fazenda de criação de gado, denominada Riachão, pertencente a João dos Santos Cruz, situada à margem esquerda do rio Jacuípe. Por volta dos anos 1920, foi levantada uma capela consagrada a Nossa Senhora da Conceição, com o orago de Nossa Senhora da Conceição do Riachão do Jacuípe. Localidade ribeirinha, a cidade de Riachão do Jacuípe – Bahia teve o seu povoamento resultante de sua privilegiada localização à margem do rio. (www.pfldabahia.org.br.)

Tinha uma vida social simples, acompanhava a minha avó Liolinda nas rezas. Depois de feitas as orações, íamos dançar nos bailes. Ajudei a organizar várias festas, dentre elas, as de são João, São Pedro, Santo Antonio, etc. Nestas festas que durava a noite toda, soltava-se fogos, pulava fogueiras e brincava de compadre e comadre. Numa ocasião cheguei a namorar cinco garotas de uma só vez. Isto me trouxe muito trabalho, e uma grande dor de cabeça. Não gostava de confusão, mas, lembro-me, que um colega enciumado por uma dessas garotas, de posse de um
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facão atentou contra a minha vida. Hoje glorifico a Deus que me livrou daquela situação embaraçosa, mesmo não o conhecendo.

Gostava também de doces de coco com abóbora, carne de porco cozida e assada, do toucinho de porco frito – torresmo, de batata assada na brasa, de carne de carneiro cozida, desta eu gosto ainda hoje.

2- FAMÍLIA
Sou casado, por duas vezes.  Com a minha primeira esposa, Maria de Lurdes Carneiro, “in - memória”, tive sete filhos, são eles: Enock Bispo Carneiro, Elias dos Santos Carneiro, Laodicéa dos Santos Carneiro, Enéas dos Santos Carneiro, Eliel dos Santos Carneiro, Elienai dos Santos Carneiro e Hermenegildo dos Santos Carneiro.  Estes me deram doze netos: Woshington Philipe Spanhol Carneiro, Priscila Sagrilo Carneiro, Wandyara Spanhol Carneiro, Abgne dos Santos Carneiro, Iúri dos Santos Carneiro, Miguel dos Santos Carneiro, Winston Reuel Spanhol Carneiro, Mariana Oliveira Batista, Paulo dos Santos Carneiro, Cristiane Melo Carneiro, Lucas Sagrilo Carneiro e Débora Melo Carneiro, descendentes de famílias brasileiras. Como avôs maternos, Manoel Mathias Carneiro e Idalina Mathias Carneiro, descendente de uma família italiana.  A minha avó paterna se chamava: Liolinda Bispo Macedo, não cheguei a conhecer o meu avô paterno.

Ainda gostaria de destacar o testemunho de obra que Deus tem feito na minha família, Ele tem levantado cinco pastores e uma cantora, são eles: Enock Bispo Carneiro, Elias dos Santos Carneiro, Laodicéa dos Santos Carneiro, Enéas dos Santos Carneiro, todos, frutos dos meus lombos.  Também os pastores Jorge Borges, esposo da Conceição minha filha de criação e o Paulo Silas, que passou a ser o meu cunhado a partir do meu segundo casamento com Nildolina Nogueira Bispo, com a qual divido todas as minhas alegrias e sonhos.  Desde 13/04/2000, ela tem sido uma jóia que Jesus colocou em minhas mãos, é especialíssima em tudo o que penso, desejo e executo.  Não sei o que seria da minha vida aqui sem ela.  Que Deus a conserve com saúde e paz!
Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem; em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes, e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal, se impuserem às mãos sobre os enfermos, eles ficarão curados (Marcos. 16.17, 18).

3- A ACEITAÇÃO A FÉ CRISTÃ
Minha conversão ao evangelho se deu da seguinte forma: Meus pais, meu irmão Oldato e minha irmã Zenita, aceitaram ao Senhor Jesus como Salvador.  Nessa feliz experiência, eu estava ausente. Naquela época estava trabalhando na fazenda do meu futuro sogro, apascentando um rebanho de ovelhas.  Quando soube desta notícia, fiquei muito aborrecido, achando que eles tinham entrado por um caminho errado.  Mas não pude fazer nada contra.

No início de 1950, passado mais ou menos um ano, soube que iam ser batizados nas águas.  Ainda com muita raiva, marquei o dia e a hora que aconteceria o evento, e propus no meu coração em matar o pastor Manoel Joaquim da Silva, pastor daquela congregação que celebraria aquele batismo.  Ao chegar o dia do evento, que estava marcado para as 14:00H, eu estava na casa da minha noiva, e enquanto isso, a mamãe e meus dois irmãos estavam descendo as águas. Naquele dia o Senhor colocou um esquecimento em mim, e quando me lembrei, era já 18:00H.  Confesso que fiquei com muita raiva.

Depois de uma semana, a mamãe me encontrou na rua, quando a vi, ainda zangado, mal pude cumprimentá-la.  Mesmo assim, ela tomou a iniciativa, me abraçou e me deu um presente.  Após tentou me evangelizar, insistindo comigo para que eu aceitasse a Jesus como o meu Salvador. Mas foi uma perda de tempo, eu estava irritadíssimo com aquela idéia.  Dalí, fui para casa, quando abri o presente, notei que se tratava do Novo Testamento, fiquei irado, joguei o livro em cima do guarda-roupas, já que eu tinha a preferência por obras do tipo “Cruz de Caravaca”, “São Cipriano”, etc.

Seis meses depois, numa daquelas noites difíceis para dormir, fiquei agitado e perdi o sono.  Próximo da meia noite, lembrei do livro, aí comecei a pensar: minha mãe sempre me amou, sempre quis o meu bem, e eu fui um ingrato!  Ela me deu um presente, e eu não quis saber.
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Em seguida, peguei o livro, que estava empoeirado, limpei-o e o abri: o versículo que vi foi: “[...] Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3. 16).

Naquele momento, o meu coração foi abrasado pelo Espírito Santo. Estremeceu o meu corpo inteiro!  Entendi que Ele estava me libertando e chamando. A partir daquele instante, Ele fez nascer em minha vida uma fome inigualável de ler e de comer a Palavra de Deus.

Durante a noite toda fiquei lendo aquele Livro.  Li o Livros de Mateus Capítulo 24, onde fala do Sermão Profético, li Apocalipse Capítulo 9, que fala dos gafanhotos sobre a terra, entre outros.  Comecei a rezar: “Jesus dos protestantes, Jesus dos protestantes, me ensina o caminho...”

Pela manhã, minha noiva que se chamava Julita me procurou. Quando me viu com aquele livro nas mãos, começou a proferir palavras sutis, com um tom meio atordoante: “Protestante! Protestante!”. Aquilo me envergonhou, tomei o livro e o escondi, e a partir dali, não tive mais coragem de abri-lo em sua frente.  O que aconteceu, foi que eu comecei a desejar terminar o noivado.  O que eu queria era aceitar o Jesus dos protestantes.  Não suportava mais o peso do pecado!  Poderia ter me convertido, ganhado ela, e seus pais para Jesus, mas eu não quis arriscar, ainda não tinha estrutura para isso.

O pai dela se chamava Arnaldo, era um homem de bem, porém duro de coração e bravo com as pessoas.  Além disso, tinha jagunços ao seu serviço em sua casa.  Para falar com ele, tinha que ser com muito jeito, em razão disso, fiquei com receio ocorrer um atrito entre nós.  Preparei um facão de 18’ (dezoito polegadas), que tinha um corte tão afiado que cortava até cabelo, coloquei na cintura, me encorajei e fui ao seu encontro comunicar-lhe o meu desejo em romper o noivado com a sua filha.


Chegando lá, aguardei ele tomar seu banho e jantar.  Após isto, eu disse:
_ Senhor Arnaldo, eu preciso falar com o senhor.
Ele me respondeu:
_ Fala Hermenegildo.
Continuei:
_ Senhor Arnaldo, nasceu um desejo no meu coração de ser protestante, e sua filha não me compreendeu, então eu gostaria de terminar o noivado, e deixá-la livre para um rapaz melhor que eu.
Ele me disse:
_ Hermenegildo, não tem problema nenhum.  Vocês são livres, para casar com que quiser não se preocupe, eu entendo e a Julita também entenderá. 

Já estava tarde, e ele mandou que me preparasse um quarto para eu passar a noite ali, mas eu prudente, preferi não arriscar a minha vida naquela casa e fui embora, para uma jornada com Jesus, que seria construída a partir daquele momento. 

Ao sair dali, fui para a casa da mamãe, que me recebeu com muito carinho e me hospedou em sua casa. No domingo seguinte, tinha Santa Ceia na igreja.  O pastor que ia celebrar-la era o mesmo que eu quis matar.  Então passei a observá-lo e vi que se tratava de um homem de bem, com uma característica mansa e humilde. Naquele dia, acompanhei a mamãe desde a Escola Bíblica Dominical até à tarde.  Assim que começou a celebração da ceia, fui acometido por uma inquietação anormal. Meu comportamento mudou sem medida. Comecei a entrar e sair daquele pequeno templo e, para piorar a minha situação, me deu vontade de fumar muitos cigarros, e isso se repetiu por várias vezes naquele culto

Cansado daquilo decidi sentar, foi então que o Pastor me fez um convite para aceitar a Jesus como o meu único e suficiente Salvador. A partir dali, me nasceu um desejo de levantar as duas mãos.   Mas o adversário – o Diabo, falou ao meu ouvido:
_ E aqueles bailes que você gosta de organizar, como será?
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Fiquei envergonhado, e não quis mais saber de aceitar a Jesus, mesmo sentindo no meu coração a chama do amor de Deus. Entretanto aquele pastor entendendo a minha dificuldade, não quis insistir e, convidou a igreja para orar para o encerramento do culto.  Mas o dirigente local, que se chamava João de Oliveira, o interrompeu e disse:
_ Boa gente, eu senti que você quer aceitar a Jesus hoje, vem aqui na frente receber oração?
Eu fui à frente, e lhe respondi:
_ Eu quero!
Já na frente, ele me repetiu a mesma pergunta:
_ Você quer aceitar a Jesus como o seu Salvador, sobe aqui no púlpito?
E eu subi, um pouco tremulo e eletrizado. 
Aí, ele falou para o pastor:
_ Pastor, vamos orar por este jovem, ele está aceitando a Jesus como o seu Salvador.
O pastor, que era um homem manso, olhou para mim, e disse:
_ Você quer aceitar a Jesus? 
Eu disse:
_ Quero sim senhor!
Perguntou-me novamente:
_ Você quer aceitar a Jesus como o seu suficiente Salvador?
Respondi:
_ Eu quero aceitar a Jesus como o meu Salvador!
Então ele mandou que eu ajoelhasse, e orou por mim.  Após, me mandou levantar e me abraçou!  Sai dali, ao andar, percebi meus pés flutuarem.  Fui até a porta, peguei a carteira de cigarros, rasguei em quatro pedaços, joguei fora e disse:
_ Não fumo mais em nome de Jesus!
Nunca mais eu coloquei um cigarro em minha boca, para glória do nome do Senhor Jesus. O interessante, é que antes eu tinha tentado deixar de fumar, mas não havia conseguido.  Porém Jesus me libertou.  Hoje, quando estou num recinto fechado, ou num ônibus, quando alguém fuma na minha proximidade, sinto nojo, náusea, com aquele mau cheiro. Faz-me lembrar das palavras de João em sua epístola: 
Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba da vida, não procedem do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente (1 João 2.15-17).

Aquela congregação era muito amorosa e fervorosa, e em poucos dias fui sendo discipulado e preparado para o batismo em águas. Experiência que mudou a minha vida para sempre.

4- A CHAMADA

Alguns dias depois, numa reunião só para membros – culto de portas fechadas, eu não pude entrar, e por uma das janelas daquela congregação, vi um irmão ser batizado com o Espírito Santo. A partir dali o Senhor colocou em meu coração um desejo ardente de viver aquela experiência Divina.

Até ali, eu nunca tinha chorado em publico, naquele dia o porteiro da igreja a me ver enxugar os olhos, me pediu para que eu desse testemunho para os descrentes, que diziam em tom irônico que “os crentes protestantes ficavam pulando na igreja, se agarrando, e as irmãs subiam nas paredes de cabeça para baixo, etc.” Mas eu ainda não me achava preparado para pregar o Evangelho.

No início de 1951 numa campanha de oração e jejum, eu recebi o Batismo com o Espírito Santo da seguinte forma: primeiro eu estava consagrando a minha vida, e num daqueles dias em meu trabalho, lavrava a terra do meu pai e, de repente comecei a clamar: “Jesus, meu Senhor, me batiza com o seu Espírito Santo!” Por várias vezes pronunciei aquela frase, e comecei a me alegrar e a pular. Então, o meu cachorro ao ver-me daquele jeito, imaginou que eu estava brincando com ele, veio ao meu encontro e pulou no meu peito, me impedindo de continuar aquela maravilhosa experiência.

Em março de 1951, aos 23 anos de idade, enfim, fui Batizado com o Espírito Santo e nas águas. A partir dali fiz-me um dedicado estudante da Bíblia Sagrada. Então os obreiros daquele ministério me indicaram para dirigir aquela congregação e, mais tarde o pastor Manoel Joaquim da Silva, vendo a minha dedicação, me apresentou para trabalhar como evangelista autorizado e a presidir o Orfanato de Feira de Santana – Bahia, em funcionamento até os dias atuais.


Mais adiante, os irmãos me entregaram a Congregação de Cachoeira de São Félix – Bahia, que era uma congregação maior que a minha, com cerca de vinte subcongregações e outros pontos de cultos.

5- A EXPERIÊNCIA MISSIONÁRIA

Foi no Orfanato de Feira de Santana, realizando campanhas em busca de ajuda financeira para manutenção daquela instituição, que tive a oportunidade de conhecer outras cidades e estados da Federação. Viajei por quase todo o Brasil, fui a Salvador, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e outros, pregando a Palavra de Deus e levantando donativos. Quando chegava daquelas viagens, aquelas crianças vinham ao meu encontro e me abraçando as pernas, não queriam mais soltar, demonstrando afeto de filhos. Hoje são homens e mulheres honrados e agradecidos pela forma que o Senhor nos usava.1
O primeiro Orfanato funcionou na Praça da República. Quem o inaugurou foi o pastor Manuel Joaquim da Silva, em 1950. Depois o Orfanato passou para a direção da Assembléia de Deus de Salvador e mudou-se para o local atual, que é no conjunto Panorama, doação por um projeto novo apresentado na Câmara de Vereadores, onde funciona até os dias atuais.

Um dia, após ler um texto no mensageiro da Paz, convocando evangelistas para o Rio Grande do Sul, senti um desejo ardente no coração em atender aquela convocação. Diante daquele apelo, achei que o Senhor estava me chamando, então procurei o Pastor Manoel Joaquim e lhe mostrei o texto. 

Em seguida ele me disse:
_ Hermenegildo, o irmão é nosso evangelista autorizado, no dia 12/08/1955, na Convenção de Salvador, eu pretendo apresentar o irmão ao ministério, aguarde um pouco mais.

Mas eu insisti lhe entregando a congregação e os trabalhos que eu estava de frente. A princípio ele não quis receber. Hoje, entendo, o que se passava em meu coração era apenas “um desejo” e não uma chamada. Daí, fui falar com a sua secretária, e disse:
_ Eu quero a minha carta, preciso ir embora.                                                  1 Fonte: (Livro de Atas da Assembléia de Deus - Feira de Santana, n. 51, 1957.)


Ao sair dali, de posse da minha carta, no inverno de 1951, despedi da mamãe e dos meus irmãos e parti para Salvador, com o propósito de comprar a passagem de navio para o Rio Grande do Sul, mas não consegui.  Então, comprei uma passagem na carroceria de um caminhão que ia para São Paulo, embarquei, e partimos.  Já perto das 18:00H, passamos por Feira de Santa.  O mês era de junho e estava muito frio, logo me resfriei, fiquei febril e comecei a passar mal.

Viajamos a noite toda sem parar, ao amanhecer paramos na entrada da Cidade de Teófilo Otoni – MG, para concertar um pneu. Eu estava com muita cólica por causa da febre, aproveitei a oportunidade e fui fazer minhas necessidades no mato – naquela época não havia banheiros públicos disponíveis.  Só que concertaram o pneu rápido demais, e o motorista não tinha me visto saltar. Partiu levando as minhas bagagens e tudo que eu tinha.

Saí na estrada, ainda meio enfraquecido, consegui uma carona num outro caminhão até a Cidade de Valadares – MG, que dourou mais dois dias.  Chegando lá, fui direto para o posto fiscal na saída para o Rio de Janeiro, quando olhei para a esquerda, num posto de gasolina e lavagem de veículos, vi o caminhão com as minhas bagagens.  Gritei para o motorista:
_ Pára!  Pára!
Ele me respondeu assustado:
_ Está louco homem!
Eu disse:
_ Não, eu estou querendo saltar, achei minhas coisas naquele caminhão, no posto lá atrás à esquerda!

Ele parou e saltei glorificando ao Senhor. Chegando ao referido posto de gasolina, aquele motorista e os passageiros me disseram que acharam que eu tinha caído da carroceria, e não quiseram voltar para me procurar. Isso era comum naquela época. Dali, não pude seguir viajem, pois estava bastante doente. Na Igreja de ValadaresMG, o pastor Almir Siqueira, era meu conhecido, conhecia o pastor Manoel Joaquim da Silva, e era amigo do pastor Valdomiro Martins Ferreira - Assembléia de Deus do Espírito Santo.  Quando me viu, exclamou:
_ Irmão Hermenegildo, você vai para onde rapaz?

Eu lhe respondi que estava indo para o Rio Grande do Sul, atender um apelo para Evangelista, contei-lhe toda a história da viajem até ali, e que estava bastante doente.  Ele me recebeu, me alojou em um quarto e após oito dias tratando da minha enfermidade, o meu dinheiro acabou com a compra dos remédios.   Depois de curado, entendi que não dava mais para seguir.  Então ele me orientou a vir para Vitória-ES, não hesitei, comprei uma passagem de trem e parti de Valadares – MG, para Vitória - ES.

 Chegando a Vitória – ES a estação ferroviária funcionava em Argolas - Vila Velha/ES.  Ali, o Senhor colocou no meu caminho, um soldado da Polícia Militar, que era crente. Ao pedir-lhe informação onde ficava o Aribirí – Vila Velha, ele me perguntou:
_ O que você vai fazer na igreja do Aribirí?
Então lhe contei toda a história.  Deus falou-lhe ao coração, e ele disse que iria me levar para a casa da sua sogra, que era da Igreja Cristã do Brasil, e morava em Santo Antônio, na Volta do Rabaióle, para passar aquela noite.  Propôs-me levar no dia seguinte para a casa de um irmão, que se chamava Antônio e reunia na Assembléia de Deus do Aribirí.

Na residência de sua sogra, após as apresentações e um bom banho, no decorrer do jantar, me perguntaram se eu era enfermo há bastante tempo, pois os meus lábios estavam ressecados e feridos, quando eu mastigava, doía e sangrava bastante.  Ali lhes contei parte da minha viajem, e aquilo aconteceu foi devido ao
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vento seco e frio que enfrentei nos três dias em cima de uma carroceria de caminhão.

No dia seguinte, às 08:00H, o irmão chegou, conforme havia combinado.  Agradeci a todos, e me levaram para a casa do irmão Antônio, em Santo Antônio - Vitória.  Após, aquela família me levou para a igreja, e me apresentaram ao Pastor Valdomiro Martins Ferreira.  De Santo Antônio, fui reunir na Assembléia de Deus de Maruípe.  Naquele tempo, arranjar emprego não era tarefa fácil.  Era o tempo do Governador Francisco Lacerda de Aguiar – o Chiquinho.

Soube que a Polícia Militar estava com as inscrições abertas para soldado, o irmão Antônio, tinha sido militar, me levou e me apresentou a um Capitão, que era comandante do Corpo de Bombeiros, que fez a minha inscrição e logo eu fui chamado para as provas e apresentação dos documentos exigidos.  Em paralelo ao serviço militar, comecei a servir na igreja do Senhor como auxiliar, por determinação do Pastor Valdomiro.  Eu tinha uma carta de apresentação como evangelista autorizado, mas não a apresentei.  Somente mostrei a carta de membro.

Mais tarde, fui trabalhar como auxiliar numa congregação e, pela bondade de Deus, num dia, o Pr Valdomiro me chamou e disse:
_ Irmão Hermenegildo, vou te colocar numa congregação, você aceita?

Eu lhe respondi que sim, estava ali para servir! No final de 1961 para 1962, fui empossado como o dirigente da Congregação da Ilha de Santa Maria – Vitória/ES, que tinha sido aberta em 21 de abril de 1960, mas não estava prosperando: "... e a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá." (Lucas 12.48).

      5.1- A OBRA NA CIDADE DE VITÓRIA E NO INTERIOR

Quando assumi a Congregação da Ilha de Santa Maria, o local não era onde é hoje.  O salão ficava ao pé do morro da Ilha.  Chegando lá, encontrei lá três viúvas, como membros.  Uma das quais se chama Zilda Serafim, que vive até a data deste documento, e é freqüentadora assídua da nossa Escola Bíblica Dominical.  Que Deus a abençoe juntamente com a sua família. 
Em janeiro de 1962, fui consagrado ao presbitério.  Continuei trabalhando, e mais tarde, com uma diferença de três dias para completar os dez anos, desde a Convenção de Salvador em 12/08/1955, quando eu seria apresentado ao ministério, o que não aconteceu, por causa do meu desejo em atender ao apelo para evangelista no Rio Grande do Sul, o Pastor Valdomiro Martins Ferreira em 09/08/1965, me apresentou ao Santo Ministério.
Cinqüenta anos se passaram, estou comemorando com a igreja o nosso “jubileu de ouro” apesar das lutas que tivemos que enfrentar me sinto feliz e realizado.  Tudo isso graças à misericórdia de Deus que tem sido o meu alicerce.  Com certeza, Ele
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tem preparado uma coroa, para mim e para todos quantos aguardam a sua vinda.  Que Deus nos guarde na sua graça! 

Nestes anos, Deus me vocacionou como um descobridor de talentos para a sua obra. Preparei e orientei centenas de candidatos para o batismo.  Muitos destes prosperaram na obra do Senhor, ora como pastores, cantores(as), missionários(as) obreiros, ora como membros ativos.  Lembro-me que tive o prazer de batizar o Pastor Manoel Salvino, hoje pastor da Assembléia de Deus do Itararé. 

Apresentei vários pastores, como: Pastor Osvaldo, hoje no Estado do Rio de Janeiro, João Trindade – Andorinhas, Isnard de Oliveira – São Pedro, Vicente Pereira – Jesus de Nazareth, Aldomário Cândido do Rosário – Romão, Udilme Sarlert dos Passos – afastado, Samuel Neves – Jucutuquara, Afonso Albino – São Pedro, Jonas Leandro – “in memória”, Eliel Bezerra – Itararé, Enock Bispo Carneiro – Jucutuquara, Jair Jorge – Jucutuquara, Jorge Borges – “in memória”, Jair Santana – Centro da Cidade, Elias dos Santos Carneiro – Jucutuquara, Eliezer dos Santos Filho – Jucutuquara, Paulo Ferreira da Silva – Jucutuquara, Gemiro Pedro Alves – Jucutuquara, João Noronha – EUA, Alcemir Pantaleão Sobrinho – Vila Velha, Menezes Barbosa – “in memória”, Enéas dos Santos Carneiro – Jucutuquara, Antônio Marcos – “in memória”, João Batista Fiúza – Romão, João Batista Firmino – Jucutuquara, Carlos Alberto Simões – Jucutuquara, Roberval Corrêa da Silva – Santa Marta, entre outros.

  5.2- A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO SEDE

Na direção da Congregação da Ilha de Santa Maria, que era um barracão de madeira de propriedade do Sr. João Bezerra – “in memória”, que na época residia no Íbis - Vila Velha, que aceitou renovar o contrato de aluguel, nos autorizou um acréscimo para o lado do muro, nos dando mais folga para realização da Obra do Senhor. Em poucos dias tivemos que planejar nossa saída dali, por falta de espaço físico. Deus era conosco!

Um dia, o Senhor me deu uma revelação, e eu via o terreno à minha esquerda, e não naquele lugar onde estávamos.  Contei para os irmãos e no outro dia fomos procurar o terreno.  Encontramos, e era bem grande.  Adquirimos aquele imóvel, e logo se iniciou a construção de um barraco de madeira.


A princípio, fomos impedidos de continuar a construção por força da fiscalização municipal, que nos informou que perderíamos quase a metade do terreno, porque ali estava projetado passar uma avenida – a atual Avenida Paulino Muller. Depois de seguidas reuniões e metragens, por orientação daquela equipe técnica municipal, prosseguimos a construção do barracão com três mil telhas.

Era final de ano, e ao encerrar um daqueles cultos fervorosos, fui para a minha casa. Logo pela manhã, um irmão que morava perto da igreja chegou a nossa casa agitado dizendo:
_ Pastor!  Pastor!  Aconteceu um desastre, derrubaram a igreja.

Fomos para lá, e tudo estava no chão.  Quem fez isso, Jesus?  Perguntei.  Ficamos sabendo que foi um cidadão chamado José da Manteiga, era um homem que morava onde hoje funciona a Rede Tribuna, seu terreno era grande e, fiquei sabendo que ele não queria a igreja perto de sua casa. 

Na ocasião, cerca de vinte novos crentes testemunharam o fato. Quando a comunidade local viu os entulhos daquele barracão no chão, começaram a rir de nós. Mas eu não me deixei abater, sabia em quem eu tinha confiado – Jesus. Como o inimigo busca oportunidade para nos derrotar, alguém nos aconselhou a procurar a justiça, mas sabiamente não fizemos isto.  Ao contrário, ficamos preocupados com a conversão dele de sua família, e para glória do nome do Senhor, seu sogro e esposa aceitaram a Jesus, mais tarde sua irmã que morava em São Paulo, se converteu ao evangelho.  Alguns já dormem no Senhor.

Como era impossível aproveitar aquele material, o usamos para o aterro do terreno e compramos novas telhas, preparei tesouras com alças de ferro e refizemos o templo de madeira, que foi inaugurado pelo saudoso pastor Valdomiro Martins Ferreira, e ali reunimos por muitos anos.


No final dos anos 70 e início dos anos 80, com o crescimento da obra, tínhamos que construir um novo templo mais confortável para os irmãos, e após cedermos parte do terreno para passar a Avenida Paulino Muller, o terreno ficou pequeno. O que fazer? Então o Senhor colocou em meu coração a idéia de pedirmos um terreno emprestado, até que construíssemos o novo templo. Mais uma vez o Senhor estava na direção de tudo e, nos conduzia. Num dia passando pela Rua Hermes Curri
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Carneiro, na Ilha de Santa Maria vi o terreno, ele estava desocupado e o Senhor falou comigo: “olha aí o terreno!” 

Saí dali, e procurei saber quem era o proprietário, e após informações, me disseram que se tratava de um negociante de cacau.  Fui ao seu escritório, e eles concordaram em me emprestar o terreno com as seguintes condições contratuais: quando saíssemos dali, deveríamos deixar o barracão de madeira, como recompensa pelo uso do imóvel. Ficamos ali cerca de quatro anos, sem pagar nenhum “centavo”.  Que o Senhor os abençoe!

Enquanto isto se deu o início da construção da igreja atual, quando fizemos as medidas para as fundações, percebemos que o terreno era desproporcional nos fundos, a divisa com vizinho o tornava assim, do lado esquerdo tinha dezoito metros de comprimento, do outro lado, apenas dezesseis metros.  Isto me fez nascer um desejo no coração de adquirirmos o terreno dos fundos, que tinha 540 m2.


Passados oito anos, o Senhor, confirmou a sua promessa comigo, usando o Pastor Hádson Cintra da Convenção Batista - ES, junto com nossos obreiros, sob a minha coordenação, para a negociação com a comissão batista, para tratarmos de valores e prazos para o seu pagamento.  Ao apresentarmos nossa proposta, alguém sorriu,
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achando que estávamos fora da realidade por eles pretendida.  Ali havia um pastor, que nos colocou todos os obstáculos possíveis para fecharmos um acordo.  Saímos sem resposta e ainda, alguns dos nossos, totalmente desmotivados.  Mas eu lhes disse que Jesus nos daria aquele terreno, pois Ele é o dono do ouro e da prata!

Numa reunião mais tarde, percebi que o pastor que estava colocando dificuldades foi substituído por outro membro na comissão, e a proposta de venda foi concluída.  Entretanto, naquele tempo a inflação estava alta.  As parcelas foram indexadas ao Dólar, o que nos deixou numa situação bastante incomoda. 

Quando faltavam duas parcelas para a conclusão dos pagamentos, ouve um desacerto na nossa economia, e aquelas duas parcelas foram inflacionadas ficando perto do valor total acordado no início.  Aí, fui a São Paulo, e procurei o Pastor José Wellington Bezerra da Costa, da Assembléia de Deus do Belém e atual presidente da CGADB - Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, e lhe relatei todo o acontecido.  Ele me autorizou fazer uma campanha ali, na sede e igrejas filiais, e assim fizemos, com os recursos levantados deu para pagar tudo o que estava faltando.  De posse dos recursos, retornamos para Vitória.

Chegando a vitória, acompanhados do pastor Hádson Centro, realizamos todo o desembaraço da documentação do terreno no Cartório de Registro de Imóveis em nome da Assembléia de Deus de Jucutuquara, e o nome do Senhor Jesus foi glorificado mais uma vez em um culto de ações de graças! Após aquela exaustiva fase, continuamos a construção do templo atual: “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” (Salmos 24.1)

 Mais adiante, fizemos um culto de pré-inauguração. Tudo isso foi feito com as ofertas de viúvas, domesticas, operários(as) e autônomos(as). Que o Senhor abençoe! Muitos daqueles já dormem no Senhor, como as irmãs Maria Neves, Anita Machado, Arnilha, Dulcinéia Barbosa – “in memória”, Infância – a que tinha um Centro Espírita antes de conhecer a Jesus, Zuleica Nunes, Amélia Ascasciba, Leonina, o Pedro – o pipoqueiro, o Cassiano, a Lourdes – a minha primeira esposa, o Jorge Borges – o que casou com a Conceição e outros(as). 

6- OUTROS PROJETOS IMPORTANTES
         6.1 A INSTITUIÇÃO DA EETAD

Deixo claro que a minha preocupação não se resumiu apenas em construir templos, ou na compra de terrenos. Foi investido esforço na capacitação de novos obreiros da nossa igreja e outras, como a instituição do núcleo 568 da EETAD – Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus, por volta de janeiro d 1988 em Vitória. Que tinha como objetivo a formação básica em teologia dos nossos alunos, buscando melhorá-los e prepará-los para o exercício do ministério. Naquele período o Diretor Nacional da EETAD era o saudoso pastor Bernard Johnson e a coordenadora local era a professora irmã Leia Machado Marques, membro de nossa igreja até a presente data.

Muitos pastores e esposas de pastores de igrejas, no Estado dom Espírito Santo e outros, foram formados ali, dentre eles citaremos apenas alguns: pastores Délio Nascimento – Ministério de Serra, Ivan Pereira Bastos – Presidente da CONFRATERES, Alcemir Pantaleão Sobrinho – Presidente da Associação de Pastores de Vila Velha, Cel. Roberto Francisco – CADEESO, Inácia Maria dos Santos – Missionária em Senegal – África, João Noronha – EUA, outros.

6.2- A INSTITUIÇÃO DO SETESC

Mais tarde o ministério decidiu investir num seminário com administração própria, na ocasião contou com a ajuda dos pastores Enock Bispo carneiro e Anival Luiz dos Santos. Em 1998, sob a minha direção geral, para glória de Jesus, deu-se início as atividades do SETESC – Seminário Teológico Semeadores por Cristo.  Por ali passaram os gestores e pastores: Anival Luiz dos Santos e Nilcéia, Enock Bispo Carneiro e Edna, Enéas dos Santos Carneiro e Elinozéth.  E atualmente é administrado pelo Eliezer dos Santos Filho e a irmã Zezé sua esposa; e a irmã Luciana Arleu como a nossa secretária.  Nesse seminário, se oferece várias modalidades teológicas e de formação, como: Básico em dois anos, médio em três anos e o Bacharel em quatro anos.

          6.3- A ABERTURA DE NOVAS CONGREGAÇÕES

Nestes quarenta e dois anos de ministério, só no Estado do Espírito Santo, ajudei a abrir várias congregações e pontos de trabalhos.  Dentre ele destacamos em Vitória, as Congregações: Jesus de Nazareth, Romão, Gurigica de Dentro, Forte de Cima, Cruzamento, São José, Forte de Baixo, Cruzeiro, Capixaba, Alto de Jucutuquara, Horto, Moscoso – fechada, Bairro de Lourdes - desligada.  Pontos de pregação: Jabour, Feira da Gurigica, Praça de Jucutuquara, Torre da Ilha de Santa Maria, Fradinhos, Dom Bosco e Vila Rubim.  No Município de SERRA: Porto Canoa – autônoma, Serra Dourada III, Tubarão – desligada.  Linhares: Desengano – desligada, Afonso Cláudio: Alto Guandu.  Vila Velha: ponto de pregação em Alecrim – extinto.  E em Cariacica hoje  tem uma congregação em Nova Rosa da Penha.

7- O PROGRAMA NA RÁDIO ESPÍRITO SANTO

Naquele tempo, o Pastor Valdomiro Martins Ferreira, tinha um programa na Rádio Espírito Santo, chamado “a voz pentecostal”.  Sua secretária era a irmã Josefa Tenório.  O programa era sucesso entre as famílias, muitas pessoas aceitaram a Jesus por intermédio daquela magnífica obra evangelística. 
Lembro-me que um dia, o Pr Valdomiro me convidou para pregar a palavra de Deus. Minha voz era limpa e firme, e eu comecei a pregar!  De repente, o Espírito Santo me usou para dizer assim:
_ Você que está aí, diante deste rádio, deixa este copo de estrequinina, Jesus te salva agora!



E aquela pessoa ouviu a mensagem, jogou fora o copo com o veneno e aceitou a Jesus. Mais tarde, esta pessoa nos escreveu uma carta, contando o seu testemunho, dizia que queria conhecer o Pr Valdomiro, eu e a irmã Josefa Tenório.  Meses depois, num trabalho em Nanuque - MG, a encontramos, nos abraçou agradecendo a Jesus por nossos vidas.  Gostaria de enfatizar, que aquele programa foi muito importante para a nossa igreja naquela época.  Muitos foram alcançados, curados e aconselhados por aqueles pregavam a Jesus Cristo e a sua palavra, através do rádio.

 A OBRA DO SENHOR NO INTERIOR DO ESTADO

Como membro de nossa honrosa Polícia Militar/ES, fui destacado em várias localidades.  No Distrito de Vila Paulista – na época ligada ao Município de Barra de São Francisco. Fui antecedido por um obreiro que deixou um rastro de embaraço naquela comunidade. Em razão daquele mau testemunho, ninguém queria aceitar a Jesus e nem se permitia que se pregasse o evangelho ali. Naquela época residia ali um trio constituído de um Vereador, um Delegado e um líder partidário, que eram terríveis. Se alguém pela manhã praticasse qualquer ato que os desagradasse, antes do anoitecer já estava morto.

Entretanto eu, cheio da chama pentecostal, ao chegar ali procurei o delegado e, depois de muita conversa me autorizou a pregar a Jesus, e no primeiro culto realizado ali, vinte cinco pessoas aceitaram a Jesus.  Hoje existe ali, uma igreja autônoma.  O Senhor me usou para abrir as portas do evangelho naquele local.

Em Lagoinha do Pancas – Pancas/ES, quando cheguei ali havia uma colônia alemã, com a sua tradição - Realizavam seus eventos confundindo às vezes a religião, com festa pagã.  Apesar da resistência da época, comecei a pregar a Jesus nas casas e na praça.  Logo conseguimos uma casa, e organizamos uma congregação, que hoje é uma igreja autônoma e próspera, situada na Rua Adir da Silva, 103 – Pancas/ES.


9- A FUNDAÇÃO DA CADEESO

Um breve comentário da História das Assembléias de Deus no Estado do Espírito Santo. O marco inicial acontece com a vinda para a capital – Vitória, dos primeiros crentes pentecostais, o irmão Francisco Galdino Sobrinho e sua esposa, em 1922.

Dois anos depois, chegava ao estado o missionário sueco Daniel Berg, para fundar uma igreja evangélica. Ele dirigiu os primeiros cultos na Rua Santo Antonio, em nossa capital. Então em 1925, o irmão José Ferreira veio de Pernambuco para Vitória, a pedido de Daniel Berg. E ao chegar à cidade, só encontrou o irmão Galdino como crente pentecostal. Todos os demais eram batistas. Então em 1927, chegou a Vitória um apoio vindo das Assembléias de Deus em Aracaju – Sergipe, constituído de sete evangélicos que se ajuntaram aos demais, iniciando assim um trabalho de evangelização pessoal que resultou na conversão de várias almas para Cristo.

Havendo muitos novos crentes, o irmão José Ferreira escreveu a Daniel Berg, solicitando que nos enviasse um pastor para que tomasse frente desta obra.
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Atendendo ao pedido da Igreja em Vitória, no dia 9/05/1930, chega ao Estado o pastor João Pedro da Silva, que aos 34 anos, inicia oficialmente os trabalhos das Assembléias de Deus em terras capixabas. Surge cultos no Centro da Cidade, em Santo Antonio, na Costa Pereira e no Aribiri em Vila Velha e, em 8/06 daquele ano, foi celebrado o primeiro batismo em águas pela Assembléia de Deus em terra capixaba.

Com a expansão dos trabalhos, foram organizadas igrejas em Santa Lúcia, na Ilha de Santa Maria, Jucutuquara, Pedreiras, Ataíde, Areal e Aribirí (Vila Velha). Em seguida, a doutrina pentecostal expandiu-se para o interior do estado. Importantes servos de Deus deram avanço à obra das Assembléias de Deus do Espírito Santo, destaco os pastores Sebastião Davino dos Reis, Eugênio Joaquim de Oliveira, Tales Caldas, José Menezes Barbosa, Waldomiro Martins Ferreira e outros. Alguns daqueles fundadores, ainda vivem como os pastores José Ferreira Filho, José Gomes, Manoel Figueira, Oswaldo Lyrio, Hermenegildo Bispo Carneiro.

Na CADEEESO – Convenção das Assembléias de Deus do Espírito Santo e Outros, Sua organização se deu em 18/10/1959, o seu Presidente era o saudoso pastor Valdomiro Martins Ferreira.  De 1964 a 1967, ocupei o cargo de 1º Vice – Presidente da mesa diretora.  Nessa época difícil, me lembro de uma situação bastante embaraçosa.  Certo pastor, acompanhado do Pastor Severino, esposo da irmã Francisca Barros, que tinha sido madrinha do meu primeiro casamento, foram a minha casa me pedir que eu lhe desse posse naquela igreja.  Eu lhe respondi que não era o dono da igreja.  Após muitas conversas, eles saíram aborrecidos comigo, me fazendo ameaças, por não terem tido o sucesso esperado.

Dias depois, um agente da Polícia Federal foi a minha casa, e me intimou para comparecer na delegacia, que ficava na atual Avenida Vitória, ao lado do BANESTES.  Eu lhe respondi que iria sim, mas depois.  Após muitas insistências, e vendo que eu não iria, ele se foi.  Mais tarde, me arrumei e fui.  Chegando lá, o Delegado que se chamava Sr. Romeu Tuma, ao me receber, logo foi me acusando de subversivo.  (Subversivo – indivíduo contrário às idéias e governo dos militares.
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Geralmente, quando provado, ele era preso, punido e às vezes morto, sob a acusação de anarquia). 

Ao me dar a oportunidade para falar, respondi que não era subversivo.  Entretanto, ele insistiu ainda mais com aquela acusação, até que lhe falei que eu era policial militar, e que apoiava e orava pelo governo e autoridades.  Ao saber que eu era militar, mudou o seu discurso, e me falou que uns pastores colegas meu, eram autores daquela denúncia.  Saí dali, fui orar por eles, por mais uma vitória que Jesus me concedeu.

 Naquele tempo, o pastor Valdomiro foi acometido por uma enfermidade, o pastor Sebastião Davino, ocupou o seu lugar de presidente, e eu fiquei como 1º vice-presidente.  Certa vez demos posse a um pastor na Assembléia de Deus de Vera Cruz – Cariacica, havia ali alguns irmãos cabeçudos, que não aceitaram o pastor naquela igreja.  Cheios de ira, se amotinaram dentro da igreja, aproveitando da ausência do pastor, que tinha ido participar de uma reunião na convenção. 

Fui chamado para resolver o problema, cheguei lá, disse que a partir daquele momento eu era o pastor daquela igreja, e que eu queria as chaves do templo.  Logo alguém as entregou, e dia depois reempossou aquele pastor como pastor daquela igreja, e algum tempo depois ficou amigo dos irmãos.  Até a sua transferência, anos mais tarde, serviram ao Senhor em paz. 


10- A MINHA FILIAÇÃO NA CONVENÇÃO DO BELÉM

Naquele tempo, quatro pastores, sem a autorização da CADEESO, deram posse ao pastor Edmundo, na Assembléia de Deus do Aribirí – Vila Velha, como pastor presidente.  Isso gerou um mal estar tremendo entre os pastores aqui no estado.  Até ali, estas deliberações somente aconteciam com a participação da sua mesa diretora.  Após a intervenção da CGADB – Convenção Geral das Assembléias no Brasil se reuniu e mandou para Vitória, o pastor José Reis, para assumir a direção da CADEESO, na Assembléia de Deus em São Torquato.

Na Assembléia de Deus do Itararé - Vitória, seu pastor havia cometido uma grande falha, e isto acarretou na sua exclusão.  Os irmãos de lá se reuniram e me entregaram a direção daquela igreja.  O pastor José Reis não aceitou, deu posse a outro pastor e ainda jurou me excluir da convenção.  Enquanto isso, em Linhares, o pastor Sebastião Davino dos Reis estava passando por alguns problemas, com a perseguição daquela diretoria.  Reunimos-nos e após a orientação do pastor Cícero Canuto de Lima - na época presidente da CGADB e mais tarde substituído pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, fui ligado ao Ministério do Belém – São Paulo. 

O tempo em que estivemos ligados àquela convenção, recebe deles todo apoio possível.  Todas as primeiras segundas – feiras do mês havia reunião ali, e nós não mediamos esforços para participar.  Também as abençoadas escolas de obreiros, que ali se realizava todos os anos, muito nos edificou.  Nos eventos que realizávamos aqui, no estado, sempre mandavam no mínimo dois pastores que pregavam e ensinavam a Palavra de Deus, nos ajudavam sem quaisquer ônus financeiros.

Mais tarde, o Pastor Roque Ferreira Filho, na época presidente da convenção do estado, reuniu-se com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, e juntos deliberaram uma decisão, nos remanejando de volta para a  CADEESO.  Depois de algumas reuniões, entre nossos obreiros e a mesa diretora da época, chegou-se a um consenso, e graças a Deus que tudo ficou em paz!  Voltamos à convenção que muito amamos e ajudamos a construir. 

3-MEUS ESTUDOS E PROFISSÃO

Meus estudos se confundem com a vida profissional e a minha chamada.  Quando iniciei os estudos, a minha grande paixão, era fazer medicina.  Fiz o primário e o ginásio, em Feira de Santana-Bahia.  O segundo grau eu conclui em Vitória-ES.  Cursei quatro anos de EETAD – Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus – Pastor Bernard Johnson.  Estudei um ano no SETEBES.  E desde 2002, curso o Bacharel em Teologia no SETESC – Seminário Teológico Semeadores por Cristo. Estou convalidando o curso de teologia no Centro de Ensino Superior Crescer, em convenio com a Faculdade João Calvino. Tenho vários títulos, como de Cidadão Capixaba, Cidadão Espírito Santense, etc.  Participei de várias Escolas Teológicas e de Obreiros.
Profissionalmente, sem considerar alguns empregos não formais na casa do meu pai, do meu ex-sogro como boiadeiro, tropeiro, pastor de ovelhas, etc..  De 1952 a 1954, fui o representante do Orfanato de Feira de Santana.  Aqui no Espírito Santo, desde 15/08/1955, faço parte do quadro da nossa gloriosa Polícia Militar.  Como pastor, desde 1965, Construí várias igrejas, realizei vários eventos, como: Cruzadas Boas Novas, Festas de Jovens, do Circulo de Oração entre outras.  Várias foram as Convenções que participei e ajudei a realizar.  No tempo do Pastor Valdomiro Martins Ferreira, fui seu primeiro vice-presidente, por muitos anos.

14- MINHA JUBILAÇÃO
Após reunir com a Diretoria Executiva da Igreja, no dia 29/11/2011, decidi apresentar como o meu substituto, o Pr. Enock Bispo Carneiro, meu filho, para a presidência da IEADJUVES, que aprovaram sem qualquer manifestação contrária. Gostaria de esclarecer que sempre foi o meu sonho, ser substituído por um dos meus filhos, não foi fácil tomar esta decisão, pois eu queria que o Senhor me fizesse sentir que era a sua vontade, esta minha decisão. E na ultima quarta-feira, Ele me fez sentir que estava chegando a hora de ser substituído, e eu assim o fiz.
No dia 01/01/2012, após a vigília de entrada de ano novo e a celebração da Ceia do Senhor, comuniquei a igreja a minha decisão, e a igreja aprovou, conforme Ata anexa.

A HISTORIA CONTINUA... Esta autobiografia estará sendo concluída pelo Pr. Elieser e equipe idealizadora.
 
15-A INDICAÇÃO DO PASTOR ENOCK BISPO CARNEIRO
16-A SUA PARTIDA PARA O SENHOR
17-O MINISTÉRIO REVIVER


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Espero que este projeto venha contribuir para a formação do caráter de novos crentes e futuros obreiros, que às vezes, sem o exemplo de servos fieis para se espelharem, erram por imaturidade e por precipitação.  Aprendi a depender sempre de Jesus, Ele jamais me decepcionou.  Desde a minha conversão, até os dias de hoje, jamais me enganei com o Senhor e sua vontade.

Olho para alguns colegas de ministério, cheios de presunção, orgulho, e de saber.  Querem ensinar mais do que aprender, dar pareceres sem conhecimento de causa, sem quaisquer experiências com Deus.  Determinam algo, exigem direitos e ainda rejeitam qualquer provação do Senhor.  São crianças ainda precisando de orientação e de conhecimento real do Senhor Jesus.

Não gostam de fazer visitas, não acreditam nos método antigos de evangelismo, acham que o Senhor mudou e a necessidade do pecador também.  Mas eu continuo o mesmo, apesar do tempo.  E creio que o Senhor e a sua Palavra também não mudaram.  Se o Senhor me recolher, irei em Paz!  Mas enquanto isso, meu desejo é ver toda a minha família salva, terminar a construção da igreja, principalmente a construção do refeitório e dos alojamentos masculino e feminino no terreno aos fundos.  Também, estou orando ao Senhor que me sustentou até aqui, para me mostrar quem será o meu substituto.  Se Ele me mostrar, espero continuar fiel a sua vontade.  Porque sei que fora da sua vontade nada pode dar certo.

Também, gostaria de agradecer e homenagear a Nildolina Nogueira Bispo, minha esposa, com que estou casado desde abril de 2000, que tem sido uma rocha firme no meu ministério.  Como disse a princípio, hoje me sinto totalmente uma só pessoa com ela.  Preciso dela, e creio que ela também precisa de mim, para realizarmos a obra do Senhor e sermos uma benção para a nossa família, e a igreja. Ela é a pessoa que Jesus me deu para aquecer o meu coração já cansado. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ABRAÃO, Maria Helena Menna Barreto. A Aventura (auto) biográfica: Teoria e Prática. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

ALBERT, Verena (1991). Literatura e autobiografia: a questão do sujeito na narrativa, Estudos Históricos, v. 4, nº 7, p.66-81, Rio de Janeiro.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Bíblia de Estudo Almeida. Reed. Rev. e Atual., versão de João Ferreira de Almeida. Barueri-SP: Ed. SSB, 1999.

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CONDE, Emílio. História das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD,1971.

www.cgadb.com.br

www.pfldabahia.org.br











sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

A Noticia On Line: Anotícia: 17 anos – Muita história para contar.

A Noticia On Line: Anotícia: 17 anos – Muita história para contar.: A primeira edição, lançada em fevereiro de 2003 Hoje espalhei em minha frente um pouco deste trabalho realizado ao longo des...

Anotícia: 17 anos – Muita história para contar.

A primeira edição, lançada em fevereiro de 2003




Hoje espalhei em minha frente um pouco deste trabalho realizado ao longo destes 17 anos (Muita coisa está nos arquivos em CD) e fiz minha oração. Foi como se um filme passasse diante de mim. Agradeci a Deus por ele ter me permitido divulgar fatos desta centenária e maior denominação evangélica do Brasil e do mundo.  Agradeci pelas lutas, pela incompreensão, pela força que me deu para que eu me mantivesse firme em meio a tantos desafios. Nessa caminhada até perseguido e combatido fui. Mas alguém pergunta: Há perseguições em meio aos irmãos, há divergência contra quem faz uma obra assim? Claro que há. Quando não se agrada aos interesses de quem quer que se faça do Jeito dele, quando se é independente, quando se busca mudanças, quando se contraria a maioria pelo que é certo, os poderosos se irritam, quando somos voz dos pequenos, quando divulgamos o Reino de Deus de forma geral e deixamos de ser unilateral. Enfim, há muitos interesses.


Com Anotícia divulgamos quase tudo o que acontece em nosso segmento. Quase tudo porque todo esse tempo procuramos evitar a denúncia, o sensacionalismo a parcialidade. Não fizemos de escândalos a notícia e nos mantivemos em promover moral e socialmente os ministros, convenções, ministérios, políticos evangélicos, bem como empresários, produtos e serviços do nosso segmento. Procuramos não divulgar as mazelas e bastidores impuros e desgastantes produzidos pelo joio que existe entre nós, que  corrói e corrompe os homens, o que pode  transformar uma bela obra produzida com sangue, suor, lagrimas e orações dos pioneiros  num combalido e corrompido sistema religioso.
Após 17 anos nesse processo, vivendo o drama de ser um dia o arauto celestial e no outro o porta voz das trevas,  que veio para promover dissenções, isso no ponto de vista de alguns que se sentiram ameaçados quando divulgamos outros irmãos, outras convenções, outras pessoas que fogem do interesse pessoal; politico ou financeiro de alguns lideres. Ora, a quantidade de convenções não fui eu que criei. Se foram homologadas, apenas as divulgo. Ao longo desses anos já promovi convenções que surgiram e cresceram, tornei conhecidas nossas siglas convencionais diante da sociedade, promovi ministérios, cantores, pregadores e divulguei eventos e realizações  de igrejas,  ajudei a eleger políticos divulgando seu nome com farto material nas convenções e nas igrejas, mesmo contrariando interesses escusos de comissões politicas que em benefício próprio formaram currais eleitorais e  buscaram entre nossos irmãos os  “votos de cabresto”.


Vamos continuar divulgando nosso segmento do jeito que iniciamos, de forma independente,  bilateral, imparcial, com recursos que nós mesmo levantamos e material que custeamos pelo nosso trabalho. Por fim, penso que depois de tantos anos algumas pessoas,  setores ou convenção deste segmento tem até alguma retratação a fazer. O tempo passou e quem tem a mente de Cristo tem a humildade de reconhecer onde errou. Por esse estado afora, muitos reconhecem nosso trabalho, elogiam, oram por nós, são parceiros, clamam pelo jornal nas filas de AGOs , nos plenários convencionais ou por onde chegamos, e até nos ajudam a distribuir em suas igrejas,   enquanto outros ainda nos temem sem razão.  Nas redes sociais há os que nos acompanham escondidos, nos veem, leem e até concordam com o que escrevemos, mas não se manifestam publicamente, não curtem e nem comentam, só observam. Alguns ainda temem em tomar na mão um exemplar, pode parecer  estar se alinhando comigo, sei lá, num suposto pretexto de neutralidade, vivem num medo de represálias que nem existe mais. Um dia destes fiquei perplexo;  fui numa convenção e ao oferecer um jornal a uma pessoa tão  querida por mim, com certo temor ela olhou para um lado, para outro e não tomando na mão o exemplar, disse: “depois eu pego”.  Este é um exemplo de pessoas ainda  afetadas por um domínio falido de um sistema inexorável, rígido, a qual um dia ficaram presas, submissas pela subserviência a líderes inflexíveis e tiranos que nem de longe lembram o legado de Cristo Jesus na terra.
Vamos seguir avante. Não temos medo de nada disso. Nosso trabalho é limpo e sério. Quem nos conhece sabe de nossa coragem e luta pelo bem desta obra. Neste ano em que completamos 17 anos, levantaremos recursos e  teremos edições mensais com uma publicação especial ou anuário no final do ano. Quem quiser ser meu amigo, que me dê a mão e vamos em frente com a paz e o amor que Cristo deixou nos corações.

Joel N. Freire
      Editor

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

AD CAPIXABA: 95 ANOS - BREVE HISTÓRICO DA AD EM VILA BETHANIA NA ADMINISTRAÇÃO DO PR. MOIZÉS)


  (Mensagem emitida por ocasião do Jubileu de 15 anos de administração do Pr. Moizes) 


(Pagina publicada no jornal Anotícia Ed. 105)

Texto RESUMIDO publicado: 

 Assembleia de Deus em Vila Bethânia, liderada pelo Pr. Moizés dos Santos Andrade, ministro do Evangelho, 58 anos, casado a 32 anos com Marta Geany B. Andrade. Pr. Moizés é membro do campo de Vila Betânia desde 27/06/1995. Em 08/08/98 foi ordenado ao Pastorado  pela Convenção CEMADES. Em  Novembro de 2004, foi  eleito presidente da Igreja, com 358 votos, com percentual 53%, dos votos válidos.
Em 15 anos de Administração a Igreja cresceu em número, em qualidade espiritual, bem como em patrimônio: Aquisição de novos terrenos, construção de vários templos, salas, casa Pastoral, e reformas em todo o campo.Um Templo Sede com uma grande infraestrutura foi levantado, tem 15 Congregações (Filiais) nos Municípios da Grande Vitória, 01 Ponto de Culto em Flor do Campo, e Balneário Carapebus, Bairro Garoto, Morada da Barra e Alecrim. Varias Congregações cresceram, se tornaram Igrejas emancipadas.
A Expansão alcançou o Departamento de Missões, investindo no Paraguay, com a construção do Templo Sede, em Cidade Del Leste, contando com 106 congregações, 20 pontos de Cultos, Aldeias Indígenas, e na Argentina, e recentemente foi alcançado Mocambique, na África. Hoje consta no rol de membros cerca de três mil e Quinhentos crentes em comunhão (no Brasil, Paraguai, e Argentina).
Na CEMADES, o Pr. Moizés, atuou por 02 mandatos (2002 à 2006) como Secretário adjunto; e em 03 mandatos (2006 à 2012) como 3º Vice presidente; como 1º tesoureiro, (2012 à 2016). É atualmente  o 2º Vice presidente, mandato que vai até esse ano.Viaja junto a Mesa diretora, por quase toda a extensão onde há uma Igreja Filiada a Convenção.
Assim Pr. Moizes tem esmerado seu saber administrativo empreendendo várias obras simultaneamente no campo de Vila Bethânia. O sonho da construção da Sede. Então em tempo recorde, iniciado, em Agosto de 2009, o presidente desenvolve o seu mais audacioso projeto, do coração de Deus, que hoje está edificado. Pr. Moises, junto a equipe de construção liderada pelo Pb. Wanderson Vargas firmaram que o ano novo seria no novo templo, então no dia 31 de Dezembro de 2010 o culto de passagem do ano foi realmente realizado dentro das dependências deste templo.
A sequência de acabamentos estava se desenvolvendo, nessa hora o presidente sentiu o peso de uma construção de grande porte, devido a falta de recursos financeiros para continuar colocando materiais de primeira qualidade. Veio dúvidas, perplexidades, dores de cabeças, insônia, não havia credibilidade por parte de alguns e muita pressão psicológica, muitas vezes sentindo-se sozinho literalmente, teve alteração do quadro de saúde, mas o Senhor Deus alentava o coração de um guerreiro audacioso que demoliu um templo que estava pronto, para iniciar uma tão grande construção como hoje se vê. Hoje o templo é referencia no bairro e no município, para a Gloria do Senhor.
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”. I Coríntios 15:58







Texto enviado (na integra)

O Nosso Agradecimento Especial ao trabalho e Colaboração dos Nobres Obreiros e suas famílias, que nestes 15 anos estiveram na Liderança de Congregações, bem como todos os Obreiros e Cooperadores auxiliares na Séde e Congregações, dando o suporte ao nosso Presidente.
Louvamos ao Nosso Deus, por tudo que o Senhor tem feito em todo o Campo de Vila Betânia, na Grande Vitória, extensivo ao Paraguai, Argentina e Moçambique, na África, através da obediência ao chamado de Deus na vida do nosso Pastor Presidente. Agradecemos a bênção de tê-lo como nosso líder espiritual, por sua vida, sua família, ministério, e disponibilidade em Atender a Obra do Senhor!
15 Anos Vencendo Desafios! Jubileu de Cristal - O cristal é um vidro de altíssima qualidade e transparência.
15 Anos vividos e vivenciados onde as características como a transparência, confiança e dedicação foram fundamentais neste tempo, baseados com exclusividade na Palavra de Deus – A Bíblia Sagrada e fundamentada na Oração a Deus, – que é Digno de toda Hora e toda Glória. Com Total dependência do espirito Santo, com humildade suficiente para pedir ajuda, e ponderar muito quando para tomar muitas decisões, algumas bem difíceis.
Pr. Moizés dos Santos Andrade, Ministro do Evangelho, 58 anos, casado a 32 anos com Marta Geany B. Andrade, membro do campo de Vila Betânia desde 27/06/1995, reunindo na Congregação de Feu Rosa. Sendo reconhecido ao Diaconato em 14 de Outubro do mesmo ano. Em janeiro de 1996, Consagrado ao Presbitério, e em 08 de Agosto de 1998, elevado ao Pastorado, Ministro pela Convenção CEMADES. Dirigiu as Congregações de Feu Rosa (1995), Vista da Penha (1998), e por 05 anos consecutivos a Congregação de Nova Betânia (1999-2003), por último um período (Início - 2004) em Universal. Dentro do Projeto e Vontade Soberana do Senhor, em 14 de Novembro de 2004, Deus surpreende – e cumprindo a Bíblia, o menor da casa, aos olhos de alguns, é eleito presidente desta Igreja, com 358 votos, com percentual 53%, dos Votos válidos.
Em 15 anos de Administração a Igreja cresceu em número, em qualidade espiritual, bem como em patrimônio.
- Aquisição de novos terrenos.
- Construção de vários templos, salas, Casa Pastoral, e Reformas em todo o campo.
- Um Templo Séde com uma Grande Infraestrutura, 15 Congregações (Filiais) nos Municípios da Grande Vitória, 01 Ponto de Culto em Flor do Campo, e Balneário Carapebus, Bairro Garoto, Morada da Barra e Alecrim (que tem todo apoio deste Ministério, até conseguirem caminhar com documentação própria).
- Varias Congregações cresceram, se tornaram Igrejas emancipadas, e hoje tem o seu próprio Pastor Presidente, destacando, Afonso Cláudio (Pr. Roque Severiano) Universal (Pr. Sérgio Costa), B. Cocal (Pr. Josenil), Campo Grande (Pr. Jairo Carvalho), entre outras.
- A Expansão alcançou o Departamento de Missões, investindo no Paraguay, com a construção do Templo Sede, em Cidade Del Leste, contando com 106 congregações, 20 pontos de Cultos, Aldeias Indígenas, e na Argentina, e recentemente foi alcançado Mocambique, na África.
- Hoje consta no rol de membros cerca de três mil e Quinhentos crentes em comunhão (no Brasil, Paraguai, e Argentina).
- Na CEMADES, o Pr. Moizés, atuou por 02 mandatos (2002 à 2006) como Secretário adjunto; e em 03 mandatos (2006 à 2012) como 3º Vice presidente; como 1º tesoureiro, (2012 à 2016) e atualmente 2º Vice presidente, mandato que vai até 2020. Viajando junto a Mesa diretora, por quase toda a extensão onde há uma Igreja Filiada a Convenção.
- Assim Pr. Moizes tem esmerado seu saber administrativo empreendendo várias obras simultaneamente no campo de Vila Bethânia. O sonho da construção da SEDE, que no pensamento de alguns seria apenas uma reforma mais havia uma certeza que no plano original em sua mente seria sim a construção de um novo templo. Então em tempo recorde, iniciado, em Agosto de 2009, o presidente desenvolve o seu mais audacioso projeto, do coração de Deus (pois o Senhor usou profetas com mensagens alusivas ao templo da forma que hoje está edificado). Pr. Moises, junto a equipe de construção liderada pelo Pb. Wanderson Vargas assumiram que o ano novo seria no novo templo, então no dia 31 de Dezembro de 2010 o culto de passagem do ano foi realmente realizado dentro das dependências deste templo.
- A sequência de acabamentos estava se desenvolvendo, nessa hora o presidente sentiu o peso de uma construção de grande porte, devido a falta de recursos financeiros para continuar colocando materiais de primeira qualidade. Veio dúvidas, perplexidades, dores de cabeças, insônia, não havia credibilidade por parte de alguns e muita pressão psicológica, muitas vezes sentindo-se sozinho literalmente, teve alteração do quadro de saúde, mas o Senhor Deus alentava o coração de um guerreiro audacioso que demoliu um templo que estava pronto, para iniciar uma tão grande construção como hoje se vê. Hoje o templo é referencia no bairro, no município, para a Gloria do Senhor.
Com todo nosso respeito a vossa pessoa e administração, solicitamos a este Plenário que se coloquem de pé, e vamos aplaudir ao Senhor dos Exércitos, o Dono exclusivo desta Igreja, que em nenhum momento abandonou aquele que se colocou na brecha pra fazer uma Grande Obra para o Senhor Deus!!
Deus continue abençoando a cada um, que não mediram esforços para contribuir para o crescimento da Obra do Senhor, que se cumpra em sua vida o conselho do Apóstolo Paulo, quando escreveu a Primeira Carta aos irmãos de Corinto, como está escrito em I Coríntios 15:58.

Nos 95 anos da AD  Capixaba, aproveitamos para homenagear o Pr. Lourival, que junto com o Pr. João Pinto da Penha, são pioneiros desta obra, ainda vivem, deixando aqui uma bela história.
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.


sábado, 18 de janeiro de 2020

Pastor Álvaro foi reeleito presidente da CEMADES.


Pr. Álvaro Oliveira Lima, preside a convenção há 10 anos e foi reeleito com 196 votos.

Por: Pr. Joel N. Freire/ Anotícia

Na memorável tarde deste sábado (18/01), num ambiente de união e congraçamento espiritual,  com a presença maciça dos ministros filiados, além de visitantes de várias partes do Brasil e do estado,  revelando o bom relacionamento fraterno com todos, o pastor Álvaro Oliveira Lima foi reeleito presidente da  Convenção Evangélica dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo e Outros – CEMADES,  por ocasião da 83ª AGO – Assembleia Geral Ordinária, e 13ª EBO - Escola Bíblica de Obreiros.   O evento aconteceu nas dependências do templo da Assembleia de Deus – Marcas do Evangelho, situada à Rua Vale do Rio Doce, nº 13 – Campo Grande/ Cariacica/ES. A igreja ADME é liderada pelos pastores Jairo Carvalho e Jefferson Belisário Couto.

Pr. Alvaro Lima, que está a frente da convenção há 10 anos, foi eleito pela primeira vez em 2010 e agora  foi reeleito com 196 votos contra 53 do concorrente,  Pr. Josenil do Rosário.  

Desde a abertura do evento, a CEMADES tem recebido ilustres convidados que ministraram a Palavra de Deus, tanto na AGO quanto na EBO. Entre eles, destacamos o presidente da CGADB, Pr. Wellington Junior (SP); o Pr. Nehemias Gaspar Araújo (MG), Pr. Luiz Cesar Mariano (RJ),   Pr. Genival Bento (AL),  Pr. Samuel Bezerra (ES),  Pr. David Mesquiati (ES),  Pr. Roberto Reis (SP),  Pr. Alan Miranda (ES),  Pr. Daniel Acioli (PR),  e Pr. Nelson Lutchemberg, (RO).

Neste sábado registrou-se a presença do Pr. José Wellington Bezerra da Costa, presidente do Conselho Administrativo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus que presidiu interinamente a sessão eleitoral. Registrou-se ainda a presença do Pr. Edson Vicente (Tesoureiro da CGADB),  Sinfônio Jardim (RJ), Pr. Valdevino (SP), Pr. Oscar Moura e Pr. Oséias Moura (Confradeesto),  Pr. Ivan Bastos (Confrateres), Pr. Kemuel Sotero e Pr. Francisco Barbosa (Cadeeso)  Pr. João Manoel Rodrigues,  Pr. José Oscar Pereira e Pr. Joel N. Freire (Ceades).

O cantor Marcelo Santos (CPAD) também presente, intercalou os momentos de escrutínio com sua abençoada voz, enquanto ministros se deslocavam de forma bem organizada à sessão eleitoral para a votação. No revezamento dos candidatos ao microfone antes da eleição, o pastor Álvaro falou dos avanços obtidos pela convenção ao longo dos anos em sua gestão e destacou a construção de uma sede própria o que já é uma realidade,  com a obra que já na fase de cobertura, situado na Rodovia do Sol, em Vila Velha, num local bem valorizado e acessível a todos.
Após eleito o Pr. Álvaro agradeceu e falou de novas propostas que estão em seu coração: ”A Deus minha gratidão. Tributo ao Senhor esta vitória e sei que ele tem confiado na minha pessoa para mais esse período de quatro anos vindouros. Seguiremos com o projeto do Centro de Convenções para concluirmos até o fim do mandato. Agradeço a todos que a mim confiou seu voto e aos amigos pastores que tem nos apoiado, a liderança da Grande Vitória bem como de várias partes do Brasil que aqui vieram”. Disse.
A composição da nova diretoria para o quadriênio 2020/2024 ficou assim estabelecida:
Presidente:                    Pr. Alvaro Oliveira Lima
1º Vice-presidente:        Pr. Adeilto Neres de Souza
2º Vice-presidente:        Pr. Moisés dos Santos Andrade
3º Vice-presidente:        Pr. Geraldo José Ferreira
4º Vice-Presidente:        Pr. Genecy de Souza
5º Vice-presidente:        Pr. Ronei Gomes e Lima
1º Secretário:                     Pr. Luiz Carlos Barcelos
2º secretário:                 Pr. Ronaldo Teófilo Falcão
3º secretário:                 Pr. Marco Aurélio Carias
4º Secretário:                 Pr. José Valmir do Rosário
1º Tesoureiro:                Pr. João Batista Nogueira
2º Tesoureiro:                Pr. José Ezequiel Alexandre
3º Tesoureiro:                Pr. Bernardino Lucio